domingo, 27 de janeiro de 2008

Lágrimas Secas

Cândido Portinari - Retirantes


Nos versos de Patativa do Assaré,

Caminho pelo chão rachado da seca

Entre mandacarus e urubus do Sertão.



Os olhos do horizonte não enxergam

O Velho Chico,

Diante de um acorde de Luiz Gonzaga,

A relembrar as histórias de Lamarca e Lampião

Pelo Sertão.



A poesia é poeira na veia

De João Cabral de Melo Neto,

Mas incendeia nas mãos de Graciliano

E Guimarães Rosa ao som de um repente

Feito numa roda em Arcoverde.



A caatinga me fere com os seus espinhos,

Com o seu olhar de morte em desalinho.




Os retirantes fogem, clamam e pedem

Para Padre Cícero pelas bênçãos das chuvas de São Pedro

Aos olhos de um São João num foguetório dos infernos

Entre os braços de Suassuna e de João Grilo, O Amarelo,

Que representam o Sertão.




As mulheres ficam num olhar triste,

Enquanto os homens buscam alimento

E salvação em terras alheias do Sertão.



Deixam família, casa e coração,

Para um dia voltar

E verem com outro olhar o Sertão.



Os retirantes fogem da fome,

Da seca, da morte em busca da salvação!




Os sertanejos são fortes,

Mas a seca do Nordeste

É fera e os engole...




Anjinhos nascem e morrem......

para serem sepultados num chão pobre.

As rachaduras são rios de lágrimas secas

Ao olhar dos versos de um menino a lamentar

Entre a poeira ao lado de uma carcaça de boi

Nas mãos do Sertão brasileiro.





Rodrigo Poeta de Cabo Frio-RJ. 15/10/2007



Nota: Obrigada professor, sua vinda a blogosfera me deixou muito feliz!
"...A poesia é poeira na veia..."
Rodrigo, você tem o perfil deste projeto!
Um abraço querido!

1 comentário

universo em poesias disse...

Texto sensacional!
Parabéns Rodrigo!

Marta Peres

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